Blog Embrapa e a Aliança da Bioversity International e CIAT: fortalecendo a colaboração científica de impacto

A colaboração entre instituições de pesquisa é essencial para lidar com os complexos desafios que a agricultura, o meio ambiente e a biodiversidade enfrentam na América Latina. Nesse contexto, os esforços conjuntos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Aliança da Bioversity International e do CIAT representam um exemplo bem-sucedido de cooperação científica com impacto que transcende fronteiras.

Por mais de cinco décadas, as duas organizações cultivaram um forte relacionamento baseado em interesses compartilhados, complementaridade técnica e um compromisso mútuo com o avanço de sistemas agroalimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos.

Hoje, a cooperação entre a Embrapa e a Aliança entra em uma nova fase. Um workshop conjunto - realizado para definir um roteiro para futuras colaborações dentro da estrutura do Acordo Geral de Colaboração, em vigor até 2027 - reafirma o compromisso mútuo e estabelece as bases para um ciclo de cooperação mais ambicioso, com prioridades científicas claras, maior alinhamento institucional e uma abordagem orientada a resultados que promete alto impacto para o Brasil e a região.

Duas instituições, uma visão compartilhada

A Embrapa é reconhecida como uma das principais instituições de pesquisa agrícola do mundo. Fundada em 1973, liderou o desenvolvimento de um modelo agrícola que permitiu que o Brasil se tornasse um dos maiores produtores de alimentos do mundo e um pioneiro em pesquisa agrícola na América Latina. Sua rede inclui 43 unidades de pesquisa em todo o país, abrangendo áreas como recursos genéticos, biotecnologia e as mais recentes inovações em agricultura digital.

Quanto à Aliança, presente em mais de 70 países, ela fornece soluções científicas para enfrentar as crises globais de desnutrição, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação ambiental. Com uma forte presença na América Latina e no Caribe, a Aliança colabora com vários parceiros para transformar os sistemas alimentares e as paisagens, promovendo a sustentabilidade e a igualdade social.

Maya Rajasekharan, Diretora Geral para as Américas da Aliança, reuniu-se recentemente com Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, em Brasília.

"O Brasil é líder mundial em agricultura tropical e a Embrapa é uma potência científica. Para a Aliança, trabalhar com a Embrapa não é apenas estratégico, mas também uma oportunidade de gerar soluções conjuntas que beneficiem toda a região", disse Maya Rajasekharan, diretora administrativa da Aliança para as Américas.

Nos últimos 50 anos, a Embrapa e a Aliança (por meio do CIAT) colaboraram em áreas importantes, como o melhoramento genético do arroz, do feijão e da mandioca, a biotecnologia, o desenvolvimento de culturas biofortificadas e o treinamento de cientistas na América Latina.

O acordo geral de colaboração existente entre as duas organizações possibilitou a canalização eficiente de recursos e esforços. Um desenvolvimento recente é o trabalho colaborativo sobre a doença da vassoura-de-bruxa da mandioca (CWBD), que representa uma séria ameaça à produção de mandioca na região. Essa pesquisa conjunta visa melhorar o diagnóstico, compreender a dinâmica da doença e desenvolver variedades de mandioca resistentes, bem como estratégias de gerenciamento de doenças em escala que contribuam para proteger uma cultura essencial para a segurança alimentar na América Latina.

Definição de novas prioridades

Entre os dias 3 e 5 de junho, a Aliança recebeu uma equipe de pesquisadores da Embrapa em seu campus em Palmira para um workshop conjunto com o objetivo de fortalecer o intercâmbio técnico e estabelecer novas prioridades de cooperação.

As equipes abordaram questões prioritárias como o melhoramento genético de culturas estratégicas, monitoramento de pragas, uso de ferramentas digitais e inteligência artificial na agricultura, saúde e recuperação de solos e pastagens degradadas, bioinsumos, biofortificação, dietas saudáveis e comportamento do consumidor, entre outros.

"Esse workshop foi realmente inspirador. Fizemos um grande esforço para mostrar o trabalho liderado tanto pela Embrapa quanto pela Aliança, destacando o enorme potencial que temos quando colaboramos. É hora de retomar a forte colaboração que tivemos no passado, pois o trabalho conjunto não só fortalecerá a América Latina, mas também promoverá uma cooperação Sul-Sul exemplar, com impactos positivos em regiões como a África e o Sudeste Asiático", disse Marília Nuti, pesquisadora da Embrapa e ponto focal para a colaboração com a Aliança.

Em sua função, Jane Simoni, pesquisadora do Escritório de Relações Internacionais da Embrapa, enfatizou que "o aspecto mais valioso desse workshop foi conectar experiências passadas com uma visão futura para a agricultura e os sistemas alimentares. Começamos com áreas-chave - melhoramento genético, agricultura digital, ciência do solo e bioinsumos - que consideramos oportunidades concretas para avançar rapidamente, mas já percebemos que elas podem ser expandidas. Nosso objetivo é claro: que os pesquisadores se reúnam, colaborem e criem projetos sólidos que gerem impacto."

Olhando para a COP30

Em um contexto em que os desafios das mudanças climáticas exigem decisões concretas, a Embrapa e a Aliança já estão avançando na identificação de áreas prioritárias que poderão ser projetadas para a COP30, a ser realizada em novembro deste ano em Belém do Pará, Brasil.

"A COP30 será uma oportunidade estratégica para a América Latina e o Caribe levantarem sua voz na agenda climática global, com base na ciência adaptada ao contexto regional. A Embrapa e a Aliança, com suas experiências combinadas e presenças técnicas na região, estão preparadas para conectar o conhecimento e a tomada de decisões, acelerar a ação climática e promover soluções sustentáveis e inclusivas que transformem os sistemas agroalimentares a partir do zero", disse Maya Rajasekharan.