Blog Depois da COP30: A formação de coalizões garantirá que o Mutirão Global produza ações climáticas

What’s next after COP30: Building coalitions will ensure Global Mutirão delivers climate action

COP30 Brasil logoEm face de desafios complexos, a Aliança encontra esperança nas coalizões estabelecidas na COP30: três iniciativas para impulsionar paisagens resilientes e medir a remoção de carbono. Os compromissos contínuos dos países e os investimentos inteligentes em relação ao clima oferecem um modelo para inspirar mais transformações nos sistemas alimentares.

A COP30 em Belém foi realizada em um momento em que o mundo não pode mais se dar ao luxo de ser incrementalista. As temperaturas estão subindo, os eventos climáticos extremos estão prejudicando vidas, e os conflitos e a migração estão sendo exacerbados pelas vulnerabilidades climáticas. Os ecossistemas estão se degradando mais rapidamente do que podem se recuperar. Diante de um cenário geopolítico complexo, a cúpula elevou o conceito de Mutirão Global, inspirado na tradição tupi-guarani de ação coletiva, como um ethos orientador para a ambição climática, reiterando a importância da colaboração para enfrentar a escala dos desafios climáticos atuais. Ao longo de duas semanas, negociadores, líderes indígenas, cientistas e profissionais trabalharam para avançar o progresso mensurável, inclusive por meio da operacionalização do Global Goal on Adaptation (GGA), a primeira estrutura global para rastrear os resultados de resiliência e orientar o financiamento da adaptação para os setores de maior risco, incluindo a agricultura e os sistemas alimentares.

Três coalizões para acelerar as soluções

O espírito do Mutirão Global tomou forma concreta por meio de uma nova geração de coalizões criadas para transformar compromissos climáticos em ações implementáveis. A Aliança desempenhou um papel central no lançamento e no apoio a três grandes iniciativas:

  • RAIZ (Resilient Agriculture Investment for net-Zero land degradation)
  • TERRA (Together for the Expansion of Resilient and Restorative Agroforestry and Agroecology)
  • E a Global Carbon Alliance

Estes compartilham uma arquitetura comum: unem governos, instituições de pesquisa, organizações de agricultores e parceiros financeiros em torno de estruturas acionáveis que preenchem a lacuna entre as evidências científicas e a implementação no campo.

1. RAIZ aborda um dos desafios mais urgentes da agricultura - mais de 1,6 bilhão de hectares de terras agrícolas degradadas em todo o mundo - mobilizando diversas fontes de financiamento para apoiar a restauração de paisagens. A iniciativa mapeia terras degradadas, identifica soluções passíveis de investimento e conecta países com parceiros técnicos e financeiros para elaborar projetos de restauração adaptados às necessidades locais.

2. TERRA se concentra na expansão da agroecologia e dos sistemas agroflorestais, usando cinco alavancas de aceleração: fortalecimento das organizações de agricultores, capacitação, financiamento misto, sementes e bioinsumos e acesso ao mercado.

3. Enquanto isso, a Global Carbon Alliance aborda as lacunas de evidências e os desafios de monitoramento que impediram que as práticas de remoção de carbono agrícola entrassem nos mercados de conformidade, coordenando testes de campo em vários países e harmonizando os sistemas de medição.

Em todos os três, a Aliança da Bioversity e do CIAT atua como base científica e coordenadora estratégica, traduzindo a pesquisa em estruturas de políticas, conectando parceiros e assegurando que os meios de subsistência dos agricultores e a segurança alimentar permaneçam no centro de cada intervenção.

"Na COP30, uma mensagem é alta e clara: trata-se de implementação; escalonamento de soluções testadas, mobilização de financiamento e levá-las às comunidades que precisam delas com urgência", refletiu Maya Rajasekharan, diretora administrativa para as Américas da Alliance, falando da COP. "Estamos muito orgulhosos de participar de iniciativas como o RAIZ... por meio da ciência, podemos reduzir o risco de investimentos e apoiar políticas públicas por meio de soluções inteligentes para o clima."

Países se unem para investir na mudança dos sistemas alimentares

Sediada pelo CGIAR e composta pela Alliance e pela Food and Land Use Coalition, a Alliance of Champions for Food Systems Transformation (ACF) relatou o progresso significativo dos últimos dois anos. Co-presidida pelo Brasil, Noruega e Serra Leoa, juntamente com os membros fundadores Camboja e Ruanda, a ACF anunciou três novos membros na COP30 - Colômbia, Vietnã e Itália - (todos com forte histórico de colaboração com a Aliança), fortalecendo seu alcance global como uma coalizão de governos que adotam ações governamentais para transformar os sistemas alimentares.

A ACF divulgou Estruturas de Progresso que documentam bilhões mobilizados pelos países membros, desde o plano de agroecologia do Brasil, no valor de US$ 1,7 bilhão, e o programa Feed Salone, de Serra Leoa, no valor de US$ 1 bilhão, até os US$ 430 milhões de Ruanda para a agricultura de conservação. Brasil, Camboja, Noruega e Serra Leoa também divulgaram uma Declaração Ministerial pedindo uma mudança transformadora na forma como os sistemas alimentares são financiados.

Embora os países muitas vezes tenham dificuldades para chegar a um consenso em grandes fóruns multilaterais de tomada de decisões, coalizões mais concentradas de países e outras partes interessadas estão acelerando as ações para atingir nossas múltiplas metas de biodiversidade, clima e outras. Demonstrando o que é possível, essas coalizões esperam inspirar outros países a desbloquear o financiamento e outros recursos para a transformação dos sistemas alimentares nos próximos anos.

Uma COP definida pela realidade, pelo acerto de contas e pela determinação

A COP30 não foi uma negociação típica. A própria Amazônia pressionou os delegados a serem urgentes. As temperaturas subiram e os cursos d'água ficaram escassos. Grupos indígenas dentro e fora do local do evento exigiram ações concretas. Em um momento que atraiu a atenção global, um incêndio começou dentro da Zona Azul, provocando a evacuação de parte do local. O incidente foi breve e rapidamente contido, mas o simbolismo permaneceu: mesmo na cúpula climática mais importante do mundo, a crise é palpável.

As conversas em Belém também ocorreram em meio a um debate mais amplo sobre como medir o progresso climático. Discussões recentes levantaram questões provocativas: O sucesso deve ser medido por graus de aquecimento evitados ou por melhorias na saúde humana e na prosperidade? Como podemos garantir que as métricas reflitam tanto os limites planetários quanto as realidades sociais? Em cada painel, os palestrantes enfatizaram que a estabilidade climática, a resiliência do ecossistema, a segurança alimentar e o desenvolvimento humano estão interligados. Eles sobem ou descem juntos.

Para saber mais sobre a participação do CGIAR na COP30