From the Field Aquisição de biodiversidade para escolas como parte do plano do governo para melhorar a alimentação e a nutrição no Brasil
Um relatório sobre as atividades mais recentes da Iniciativa de Biodiversidade para Alimentos e Nutrição no Brasil, incluindo uma análise de um programa inovador de alimentação escolar e compras.
Um relatório sobre as atividades mais recentes da Iniciativa Biodiversidade para Alimentação e Nutrição no Brasil, incluindo uma análise de um programa inovador de alimentação escolar e compras.
O Brasil tem altos índices de desnutrição - por exemplo, 1 em cada 3 crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso. É um dos hotspots mundiais de biodiversidade, grande parte da qual é comestível e nutritiva, mas muitas dessas espécies tradicionais saíram dos cardápios das famílias e das cestas de compras dos consumidores em favor de uma gama restrita de culturas básicas densas em energia.
Como parte da iniciativa "Biodiversidade para Alimentação e Nutrição" do GEF, coordenada pela Bioversity International, o Brasil usará as informações geradas pelo projeto sobre espécies ricas em nutrientes para informar suas políticas de segurança alimentar e nutricional. Uma lacuna crucial na base de conhecimento é a informação científica sobre o conteúdo nutricional de espécies alimentares nativas promissoras. Por meio da iniciativa, o conteúdo nutricional de cerca de 150 espécies de alimentos nativos subutilizados está sendo investigado.
Um dos principais fatores de perda de biodiversidade no contexto da biodiversidade para alimentação e nutrição é a falta de apreciação de seu valor por produtores e consumidores. No Brasil, assim como nos outros países da iniciativa, estão sendo feitos esforços para aumentar a conscientização sobre sua importância e melhorar os vínculos com o mercado para garantir sua aceitação. O governo brasileiro estabeleceu um programa de alimentação escolar para promover a educação alimentar saudável, reconectando a natureza com os alimentos para as crianças em idade escolar que fazem parte do programa. Investir em educação é fundamental, pois essas crianças são os futuros produtores de alimentos, consumidores e protetores da biodiversidade.
O programa acrescentou um componente essencial de aquisição de alimentos que garante que 30% dos produtos sejam comprados de produtores de pequena escala. Isso está resultando na capacitação dos produtores não apenas por meio desse fluxo de renda, que também paga um prêmio de 30% sobre os alimentos locais produzidos de forma sustentável, mas também por meio da criação de cooperativas que geralmente incluem produtores marginalizados, como as comunidades indígenas. Também incentiva a produção diversificada na fazenda, o que, por sua vez, aumenta a resistência, por exemplo, a eventos climáticos extremos, como a seca, que pode destruir toda a colheita de um único cultivo. No momento, a contagem da diversidade é baixa em termos de espécies adquiridas por meio do programa, mas isso também significa que há uma grande oportunidade de monitorar como o aumento da diversidade produzida, adquirida e consumida melhorará a nutrição em longo prazo e afetará os meios de subsistência dos pequenos produtores envolvidos.
Outros destaques da iniciativa em 2014 incluem o livro Diversificando Alimentos e Dietas - Usando a biodiversidade agrícola para melhorar a nutrição e a saúde que está disponível para download gratuito no site da Bioversity International. O livro, parte da série Issues in Agricultural Biodiversity, publicada pela Earthscan/Routledge em associação com a Bioversity International, explora o estado atual do conhecimento sobre o papel da biodiversidade agrícola na melhoria da nutrição e da segurança alimentar. Ele também identifica lacunas de pesquisa e implementação que precisam ser abordadas para promover o melhor uso da biodiversidade agrícola em abordagens baseadas em alimentos que combatam a desnutrição e a segurança alimentar. O livro foi nossa publicação mais baixada em 2014.
Este relatório de projeto foi adaptado de um blog convidado "Por que a biodiversidade agrícola deve ser incorporada às políticas de desenvolvimento sustentável" de Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, para o Dia Internacional da Diversidade Biológica de 2015.
Parceiros
A iniciativa 'Biodiversidade para Alimentação e Nutrição' do GEF (nome completo 'Mainstreaming biodiversity for nutrition and health') é liderada pelo Brasil, Quênia, Sri Lanka e Turquia e coordenada pela Bioversity International, com apoio de implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e apoio adicional do Programa de Pesquisa CGIAR sobre Agricultura para Nutrição e Saúde.
Foto: Sterculia, também conhecida como castanha tropical, Brasil. Crédito: F.Tatagiba
Este artigo faz parte do Relatório Anual de 2014