Research Articles O arroz brasileiro precisa se fortalecer para um futuro seco

Brazilian rice needs to toughen up for a dry future

As mudanças climáticas têm o potencial de virar nosso mundo de cabeça para baixo. Há uma preocupação crescente sobre como as futuras mudanças climáticas afetarão as plantações e os meios de subsistência de milhões de pessoas.

Enfrentar essas mudanças futuras significa avaliar o problema antes que ele aconteça e fazer o que for necessário para evitá-lo.

Uma equipe de cientistas do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI) e da Universidade de Leeds (Reino Unido) realizou um estudo avaliando o impacto das mudanças climáticas sobre o arroz de terras altas no Brasil e suas implicações para o melhoramento do arroz.

A pesquisa concentrou-se nos estados do Brasil central - Goiás, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins - que são algumas das maiores áreas de cultivo de arroz de terras altas do mundo.

 

A importância do arroz

O arroz é uma das culturas alimentícias mais importantes do mundo. Globalmente, cerca de 4 bilhões de pessoas o consomem; em países de baixa e média renda, a cultura fornece 27% das calorias.

De acordo com as projeções, a demanda por arroz em todo o mundo continuará a aumentar nas próximas décadas. Isso se deve ao crescimento contínuo da população e da renda.

Na América Latina e no Caribe, o Brasil é o maior produtor e consumidor de arroz. O consumo médio anual de arroz varia de 15 a 90 kg entre os estados brasileiros.

O Brasil produz arroz irrigado e de terras altas. O último, ao contrário do primeiro, depende exclusivamente das chuvas. As terras dedicadas ao arroz de terras altas representam quase dois terços das áreas de cultivo de arroz do país.

"O arroz gosta de água", diz a Dra. Cecile Grenier, criadora de arroz e geneticista do CIAT e do CIRAD. "Quando se trata de arroz de terras altas, bem, não é necessário ter irrigação, mas é preciso ter um bom padrão de chuvas. Portanto, é bom ter chuva suficiente, boa qualidade do solo e sol."

As mudanças climáticas, de acordo com estudos, representam um risco para a agricultura, afetando a produtividade agrícola geral e a segurança alimentar. Dessa forma, os agricultores e criadores de arroz precisam agir agora para ajudar a evitar possíveis danos causados pelas mudanças climáticas no futuro.

Mudanças climáticas e implicações na criação de arroz

O estudo conjunto dos cientistas do CIAT et al analisou a atual estratégia de melhoramento de arroz da EMBRAPA.

Em geral, o objetivo do melhoramento genético é aprimorar as culturas para que elas, por exemplo, possam produzir rendimentos mais altos, adaptar-se melhor aos ambientes e ser resistentes a pragas e doenças, entre outras coisas.

Na EMBRAPA, há dois programas de melhoramento. Um que se esforça para aumentar a produtividade dos grãos; e o outro, que a organização lançou em 2004, que se concentra no melhoramento para tolerância à seca.

A equipe do estudo construiu cenários para o crescimento do arroz em condições climáticas futuras para entender o que as mudanças climáticas significam para o arroz de terras altas brasileiro. As descobertas fornecem orientação aos criadores de arroz sobre como ajustar seus métodos.

Os resultados dos modelos de simulação mostram aumentos de temperatura e reduções de precipitação nos quatro estados do Brasil central. Eles sugerem que a Embrapa mude seu foco, deixando de cultivar apenas para condições ótimas e passando a cultivar arroz que possa se adaptar e responder bem às condições de seca.

 

"O sucesso no processo de criação de novas variedades depende do conhecimento que se tem sobre o que se está criando. Nosso estudo fornece aos criadores informações essenciais sobre os tipos de seca para os quais eles precisam se preparar nas próximas décadas."

Dr. Julian Ramirez-Villegas

Cientista de impactos climáticos, CIAT

Como resultado dessa investigação, o CIAT está fazendo estudos semelhantes na Colômbia para identificar os efeitos das mudanças climáticas para o feijão e as implicações que elas têm no programa de melhoramento de feijão do Centro, de acordo com Ramirez-Villegas.

Agradecimentos

Esta pesquisa teve o apoio do Programa de Pesquisa do CGIAR sobre Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar (CCAFS) e do Programa de Pesquisa do CGIAR sobre RICE.

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