From the Field Testando o comércio justo para todos no Brasil
O Fairtrade, FT, é um movimento social que visa conectar produtores e consumidores desfavorecidos, promover condições comerciais mais justas e capacitar os produtores a combater a pobreza, fortalecer sua posição e assumir mais controle sobre suas vidas (Fairtrade International).O Fairtrade opera por meio de um sistema de certificação de alimentos, que permite que os produtores certificados e, em alguns casos, os trabalhadores rurais recebam um prêmio pelos produtos vendidos.
Por Martha del Rio, Stefania Sellitti, Natalia Gutiérrez
Vários produtos poderiam ser certificados pelo FT: bananas, cacau, algodão e assim por diante. O trabalho do CIAT concentra-se exclusivamente no mercado de café e na certificação de café FT. Essa última era limitada a organizações de pequenos produtores até 2011, quando a Fairtrade USA se separou da Fairtrade International e começou a certificar propriedades de café. De fato, a Fair Trade USA desenvolveu o Critério para Trabalhadores Agrícolas (FW) para atender aos trabalhadores agrícolas que não possuem terras, mas trabalham em fazendas maiores. O objetivo da norma é aumentar o empoderamento, incluindo a liderança e a organização dos trabalhadores rurais empregados na fazenda, o desenvolvimento econômico e a garantia de condições de trabalho justas e métodos de produção ambientalmente responsáveis (Fair Trade USA, Farm worker standards, 2013).
De acordo com o relatório piloto de café da Fairtrade USA (Fairtrade USA, 2014), menos de 25% de todos os produtores de café do mundo são pequenos proprietários que fazem parte de uma organização cooperativa. Estima-se que 55% dos produtores de café sejam pequenos proprietários independentes e 20% estejam empregados em fazendas de médio e grande porte.
Em 2012, aproximadamente 72.450 toneladas métricas de cafés certificados Fairtrade foram importadas para o mercado Fairtrade USA de 22 países diferentes. A América Latina foi responsável por 88% ou 63.576 toneladas métricas, com um crescimento significativo nas importações do México. Em contraste, o Brasil diminuiu sua quantidade de exportações de café em 53% de 2011 a 2012 (Fairtrade USA, 2012). Cerca de 75% do café Fairtrade vendido vem da América Latina e do Caribe (Fairtrade America, 2014).
O trabalho da CIAT
Como explicado em nossas postagens anteriores, estamos avaliando o impacto de um novo modelo de certificação de café FT, conhecido como FT4ALL, em quatro países: Nicarágua, Honduras, Peru e Brasil. No entanto, nesta postagem, vamos nos concentrar no Brasil, onde o café representa o sétimo produto mais exportado e o setor emprega 5,8% da força de trabalho rural.
Nosso trabalho tem como objetivo avaliar o impacto da certificação do café Fairtrade sobre o bem-estar e o empoderamento dos trabalhadores rurais por meio de uma comparação entre trabalhadores rurais de propriedades certificadas e trabalhadores rurais de propriedades não certificadas.
De outubro a dezembro de 2015, realizamos
pesquisas entre trabalhadores rurais em duas fazendas de café localizadas no departamento brasileiro de Minas Gerais
pesquisas entre trabalhadores rurais na propriedade certificada
pesquisas entre trabalhadores rurais na propriedade não certificada
A propriedade de café certificada pelo Fairtrade consiste em três fazendas com uma área total de 6.101 ha, dos quais 3.443 ha são usados para a produção de café. Toda a área de cultivo de café é certificada pela Fairtrade USA, C.A.F.E. Practices, Rainforest Alliance e UTZ. Essa propriedade pode ser classificada como uma plantação de monocultura, na qual 500 trabalhadores agrícolas permanentes são empregados, juntamente com um máximo de 700 trabalhadores temporários durante a alta temporada. A propriedade certificada vendeu 77 toneladas métricas de café. Esse nível de vendas é relativamente baixo para a média de produção da fazenda. No entanto, com a certificação, a propriedade teve acesso a novos clientes.
A propriedade não certificada é composta por 13 fazendas. Na propriedade sem certificação, 1.570 ha são dedicados ao cultivo de café, sendo 440 ha certificados pela Rainforest Alliance, 554 ha pela UTZ e 1.400 ha pela 4C. A propriedade sem certificação tem 177 trabalhadores permanentes e 108 trabalhadores temporários.

Por Ovidio Rivera.
Por meio de nossas pesquisas, coletamos as informações quantitativas necessárias para analisar os benefícios da certificação para as vendas com certificação Fairtrade. Para resumir a situação dos trabalhadores rurais não certificados em comparação com a dos trabalhadores rurais certificados, criamos um infográfico, que é apresentado abaixo.
Investimento do prêmio e capacitação
Através do desenvolvimento de um plano de trabalho do Prêmio do Comércio Justo gerenciado por um comitê do Comércio Justo e através da possibilidade de decidir como gastar o Prêmio do Comércio Justo, os trabalhadores podem melhorar sua capacidade de fazer escolhas e transformá-las em ações e resultados desejados, alcançando um nível mais alto de empoderamento.
Primeiro, é essencial garantir um alto grau de envolvimento dos produtores de café nas organizações de trabalhadores rurais, a fim de aumentar o envolvimento dos produtores de café nas organizações de agricultores e melhorar seu acesso aos mercados e seu poder de negociação. Em segundo lugar, a oferta de atividades de treinamento e capacitação permite que os trabalhadores rurais melhorem não apenas sua produção de café, mas também suas estratégias de marketing e organização.
No caso da propriedade certificada no Brasil, os trabalhadores rurais elegeram democraticamente seus representantes para o comitê do FT da seguinte forma:



Depois de consultar a assembleia dos trabalhadores rurais, o comitê do FT investiu o prêmio em projetos de educação não formal e saúde, entre outros:




Compra de mochilas para os funcionários
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