Research Articles Pesquisa mostra o status socioeconômico da iniciativa de investimento de impacto

O Fundo de Biodiversidade da Amazônia investiu no Cacau Amazônia e criou um índice inovador para medir a situação socioeconômica dos produtores rurais em Rondônia, Brasil.

O Cacau Amazônia + (CA+) tem como objetivo promover o cultivo sustentável do cacau por meio do fornecimento de mudas de alta qualidade, suporte técnico, infraestrutura e treinamento, além de facilitar a venda de créditos de carbono e o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O projeto é implementado com o apoio do Rioterra - Centro de Inovação da Amazônia. Essa abordagem busca fortalecer os meios de subsistência rurais, reduzir a degradação ambiental e incentivar a mitigação das mudanças climáticas por meio de sistemas agroflorestais. O CA+ originou-se de projetos-piloto desenvolvidos pela Rioterra para ampliar a cadeia de valor do cacau, usando vitrines tecnológicas implementadas em iniciativas de restauração anteriores.

O CA+ é financiado pelo Amazon Biodiversity Fund (ABF), um fundo de investimento de impacto assessorado pela Impact Earth e apoiado pela Alliance of Bioversity International e CIAT, particularmente por meio dos esforços de monitoramento e avaliação de impacto do ABF. O Cacau Amazônia+ foi escolhido como piloto para o TerraSocio, uma metodologia que mede os impactos sociais, econômicos e ambientais. O estudo foi financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico Soros.

Scott Abrams, Diretor de Impacto e Operações do Soros Economic Development Fund, observou que "a SEDF investiu no Fundo de Biodiversidade da Amazônia para criar empregos locais, preservar florestas em pé e promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável na bacia amazônica. A pesquisa da TerraSocio permite que a Impact Earth, a SEDF e nossos parceiros de investimento entendam melhor o impacto que estamos tendo, ao longo do tempo, em nível comunitário."

A TerraSocio faz parte do esforço da Aliança para apoiar abordagens de avaliação com base científica. "Desenvolvemos soluções personalizadas de monitoramento e avaliação para aumentar a transparência dos negócios sustentáveis. Essas metodologias podem ajudá-los a tomar decisões para ajustar suas abordagens. Temos o TerraBio, que se concentra no impacto da biodiversidade, e estamos iniciando o TerraSocio, para os impactos socioambientais", disse Bernardo Caldas, Líder da Equipe de Pesquisa da Alliance.

O estudo - viabilizado com o apoio do CES Rioterra - entrevistou 292 pessoas em 86 famílias que têm contratos com o Cacau Amazônia + em dez municípios para capturar dados básicos sobre demografia, nutrição, saúde, moradia, meio ambiente, produção e aspirações futuras. A avaliação integrou métodos quantitativos e qualitativos que levaram ao desenvolvimento de um índice que mede as condições socioambientais de cada família.

"O Índice que criamos nos permite comparar a situação das famílias e também avaliar a situação do projeto como um todo", explicou Sacha Senger, Coordenador de Avaliação Socioeconômica do CAL-PSE, que organizou o estudo.

A pesquisa mostrou que os produtores têm fortes laços comunitários, dieta equilibrada e alto nível de tratamento de água. No entanto, os indicadores ambientais tiveram a classificação mais baixa, devido à falta de descarte adequado de resíduos sólidos na região.

Para o diretor executivo e CEO do Cacau Amazônia+, Marco Curatella, participar do processo de pesquisa foi uma experiência valiosa para a transparência do projeto, e os dados ajudarão a aprimorar suas atividades e esforços para as certificações: "A TerraSocio nos deu acesso a dados para criar um perfil claro dos produtores, para entender suas aspirações, desafios e necessidades. Isso nos permitirá aprimorar nosso trabalho e medir o impacto que o Cacau Amazônia + terá com o tempo."

Além do Índice, a TerraSocio também captou o perfil socioeconômico dos produtores com detalhes como renda, condição da família, nível de escolaridade e problemas de saúde. A pesquisa também identificou os desafios que os produtores enfrentam e as expectativas com o Cacau Amazônia+. Entre eles, estão a falta de conhecimento para escalar práticas agroecológicas, o acesso ao mercado do cacau e a instabilidade dos preços, que eles gostariam de ver ajudados pelo Cacau Amazônia +.

Outro desafio foi a sucessão de fazendas, a idade média dos produtores é de 41 anos, e muitos dos jovens locais deixaram as fazendas em busca de educação superior e renda, mas voltariam se as fazendas produzissem uma renda estável. "Um benefício dos dados é que eles nos mostraram a importância da renda para transformar as famílias, por isso é importante ter uma visão clara de suas fontes de renda. Isso nos ajudará a melhorar as atividades do Cacau Amazônia + para apoiar os objetivos das famílias", destacou Curatella.

O estudo também serve como uma rica fonte de dados de impacto para os investidores do CA+. "As informações são particularmente relevantes para a ABF e para a Impact Earth, pois o melhor entendimento do perfil e do feedback dos pequenos produtores ajudará a posicionar gradualmente o Cacau Amazônia+ de acordo com os objetivos do fundo", destacou Vincent Gradt, cofundador da Impact Earth. Os resultados do estudo foram apresentados à SEDF, à Impact Earth e ao Cacau Amazônia+, que compartilharão com os produtores locais para que eles possam ter acesso aos seus dados. Uma nova rodada do estudo está planejada para ser implementada em 2026 para monitorar o impacto do projeto.